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“Arquivos Judiciais da Escravidão no Vale do Paraíba Fluminense" é tema de roda de conversa

Da esquerda para a direita: o historiador do Museu da Justiça, Gilmar de Almeida Sá;  a pesquisadora do Museu da justiça, Júlia Vieira Penelis; a pesquisadora em História no Arquivo Central do Poder Judiciário, Lara Rodrigues de Brito Pinheiro;  a pesquisadora do Museu da Justiça Clarissa Ramos Gomes O Museu da Justiça promoveu na tarde desta quinta-feira, 28 de maio, uma roda de conversa sobre projeto “Arquivos Judiciais da Escravidão no Vale do Paraíba Fluminense”. O evento, que ocorreu Salão Nobre do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, apresentou frutos da parceria entre o TJRJ e o Ministério Público Federal (MPF), que busca a preservação, o acesso e a difusão dos acervos judiciais da escravidão negra no Vale do Paraíba.  A abertura foi realizada pela diretora do Museu da Justiça, Silea Macieira, que destacou a importância do projeto, condecorado com menção honrosa no Prêmio CNJ Memória do Poder Judiciário 2026, na categoria Patrimônio Cultural Museológico, subcategoria especial “Escravidão e Liberdade: Passado e Presente”.   Conduzindo a mesa, o historiador do Museu da Justiça Gilmar de Almeida Sá apresentou o contexto histórico do Vale do Paraíba no século XIX, apresentando como era a presença de pessoas escravizadas na justiça da época. Também foram apresentados os relatórios feitos em visitas feitas nos municípios em que foram encontrados documento judiciais antigos: Rio Claro, Barra Mansa, Vassouras e Piraí.   A exposição “Autos Judiciais no Vale da Escravidão” foi outro desdobramento do projeto. A pesquisadora do museu Júlia Vieira Penelis detalhou o processo de realização das salas, que bucavam passar sensações, frases, fotos, processos judiciais, e mapas geográficos encontrados durante a pesquisa.                                                  O livro “O Vale da Escravidão” é um dos resultados do projeto Ela explicou que exibição buscou ampliar a compreensão da importância de preservar a memória desse período. “No século XIX, a região do Vale do Paraíba foi a região com maior número de pessoas escravizadas. É muito importante a gente pensar que, por mais de 300 anos, essas pessoas estiveram trabalhando exaustivamente por mais de 13 horas por dia, recebendo punições físicas e privadas de direitos políticos e sociais, já que não eram consideradas humanas”, afirmou.  A pesquisadora no Arquivo Central do Poder Judiciário, Lara Rodrigues de Brito Pinheiro foi uma das colaboradoras do Livro “O Vale da Escravidão”, que conta histórias de escravizados presentes nos arquivos judiciais encontrados nos municípios. Em sua apresentação, ela utilizou como exemplo um dos 13 artigos do livro, que discorre o assassinato do fazendeiro Eduardo Augusto Chaves, proprietário de uma fazenda de café em São João do Príncipe, no Vale do Paraíba fluminense, em 1875. A investigação resultou na acusação de três homens escravizados. Para ela, os documentos são mais do que apenas protocolos:   “Os processos criminais são valiosos justamente porque permitem acessar expectativas, medos, angústias e relações sociais de sujeitos que produziram poucos registros sobre si mesmos. No caso das pessoas escravizadas, muitas vezes esses documentos são uma das únicas possibilidades de perceber suas vozes, conflitos e formas de resistência dentro da sociedade escravista.”  Clique neste link para baixar o livro em formato digital. Encerrando o encontro, a pesquisadora do Museu da Justiça Clarissa Ramos Gomes apresentou a estrutura do seminário “História de Escravizados nos Arquivos do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro”. O evento contou com palestras, visitas mediadas e oficinas voltadas à restauração de documentos históricos e à confecção de mapas.    DA*/IA *Estagiário sob supervisão Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ  
29/05/2026 (00:00)

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